Arquivo da tag: resistência

23 de setembro, visibilidade bissexual: Vai ter funkeira bi sim e ainda tá pouco!

Tô fazendo esse post por dois motivos:  pela blogagem coletiva bissexual do bi-sides para comemorar o 23 de setembro, dia internacional da visibilidade bissexual e por eu tá num momento da minha vida que eu to mergulhando de cabeça no movimento funk…

E acho que hoje, é bom lembrar pra geral que eu e muita gente da comunidade bissexual fica muito feliz em saber que no funk tem Tati Zaqui. Pra muitas pessoas isso pode não significar nada, mas pra mim, mulher bissexual, significa muita coisa.

A gente sabe o quanto esse sistema é machista e bifóbico. No funk não é diferente. E a Tati se assumiu, ela foi com cara e coragem falando da sexualidade dela e encorajou uma porrada de meninas funkeiras a exercer sua bissexualidade. Meninas que antes não tinham coragem de falar agora falam: eu gosto de meninas também e mais, coragem pra ficar com meninas também.

tati zqui

Mas ainda tá pouco. Meu sonho mesmo é o dia que vai ter funkeiro viado, lésbica, trans e travesti sem sofrer preconceito, podendo cantar suas músicas e exercer sua sexualidade no espaços, principalmente nos espaços do funk. No baile, no rolê, no fluxo.  Falando nisso, salve salve, Transanita , Mulher Feijoada, MC Xuxu. Ceis são revolução.

Ainda tá pouco. Meu sonho mesmo é o dia que funkeiro bissexual vai se assumir e as pessoas não vão ficar achando que o cara é gay, que funkeiro bi vai ter sua sexualidade respeitada.  Que as pessoas vão entender que homem pode SIM gostar de homem, de mulher, de pessoas no geral e que isso não tem problema nenhum e que inclusive ele pode ser funkeiro!

Ainda tá pouco. Meu sonho mesmo é o dia que funkeira bi não vai ter sua sexualidade super fetichizada por homem,  que homem ver nossos clipes, nossas danças e entender que aquilo ali a gente faz porque a gente ama e não por ele, que nossa bissexualidade não gira em torno de desejo de homem não e sim dos nossos desejos. Se nós, bissexuais quisermos ser monogâmicas, nós vamos ser, se não quisermos ser monogâmicas, não seremos, se quisermos fazer ménage, nós vamos fazer, se não quisermos NÃO VAMOS FAZER e isso não diminui nosso caráter nem torna nossa bissexualidade indigna, até porque boa parte dos homens héteros (e quem é do funk sabe muito bem disso) adora uma putaria e ninguém discrimina homem por ser hétero, né.

Ainda tá pouco. Meu sonho mesmo é o dia que a comunidade LGBT vai ter sua vida, seus direitos, seus corpos respeitados. E que no funk, não seja diferente. Que nós LGBTs funkeiros possamos mostrar nossa cara, cantar nossas músicas, falar DOS NOSSOS DESEJOS, DAS NOSSAS IDENTIDADES dentro do movimento funk (e fora também).

Funk, te quero colorido.

Te quero da cor do arco-íris.

Te quero sem preconceitos.

Sem violência.

Sem fetichização.

Quero que a diversidade seja também uma ostentação!

Te quero colorido e até cheio de purpurina.

Te quero com respeito pelos mano, pelas mona, pelas mina.

Guerreira doce

Doce, doce inspiração
Ela é pequenininha de tamanho
Mas com suas ideia, suas atitude é capaz de atravessar o mundão
Mulher preta, guerreira
Amiga confidente
Sintonia ancestral
Minha e dessa sapatão combatente
Falamo pouco
Mas a gente se entende
Seu jeito, alguns julgam como arrogante
O mesmo eu chamo de timidez apaixonante
Esse jeito de recitar
Foi ela que me “ensinou”
Desculpa a falta de originalidade na expressão
Mas você de verdade me inspirou
Poesia anti-patriarcado, anti-estética, anti-branquitude
Eu já sabia
Mas você ainda mais me estimulou
Na arte a gente tem dessas
De ter inspiração
E essa doce combativa mina
Foi a que inspirou meu coração
Obrigada, preta
Por todas as ideia trocada
Por toda a força que me dá
Nas palavra declamada
Obrigada, preta
Por ter me mostrado esse caminho combatente
A cada ideia trocada
Fico mais consciente
Cê diz que aprende comigo
Eu que aprendo com você
Arte, resistência, sentimento, ancestralidade
Cada conversa eu nunca vou esquecer
Sou tua fã admiradora
E fico feliz em te ter como amiga
E poetisa inspiradora
Já faz um tempo que eu tava encucada sem saber entender
Mas finalmente essa tal de poesia
Me permitiu explicar o que sinto por você
Tomara que não acabe
Tomara que nunca quebre
Que mãe Nanã e mãe Oxum
Nossa amizade preserve
Obrigada preta, ídola, inspiração, combativa, amiga
Te considero – e te quero – até umas hora,
Guerreira doce, Formiga.

O preto agora quer fazer Direito

Ele resolveu que quer fazer Direito

Ele resolveu que quer fazer em universidade pública

Especificamente na USP

Ele resolveu dizer que ali é nosso lugar por direito

O preto resolveu que vai fazer Direito

Preto, você nem comeu direito

Nem dormiu direito

Nem estudou direito… tava mó cansado à noite na escola

Porque de dia teve que trabalhar direito

Aos 24 anos

Terminando o ensino médio na modalidade EJA

Muitos apontam o dedo em sua cara e diz: tá aí ainda porque não fez direito!

É fácil julgar sem saber direito

Mas o preto quer direitos!

Mas não basta só direitos

O preto quer nossos direitos sendo cumpridos

Respeitados, legitimados, assumidos!

Tá disposto a lutar

Passar por toda aquela etapa de pré-vestibular

E da 1° fase

Será que vai passar?

E depois tem 2° fase

Como vai ficar?

Por quantos anos vai tentar?

Vão dizer que depende do seu esforço, da sua capacidade

Que cotas raciais é vitimismo

Mas o preto sabe que a gente tá em posição de desigualdade!

Sabe que essa gente opressora legitima o racismo

A gente carrega heranças fortes daquela época que não foi embora direito

A gente ainda sente a dor do couro do chicote, da desumanização

Do discriminação, da miséria

De lá pra cá não teve ascensão

Mas muita gente não enxerga isso direito

Mas o preto não baixou a guarda

E quer conquistar nossos direitos

Cadê nos bancos dessa universidade alunos negros?

Quantos pretos tem na USP?

E no Direito da USP?

Quem tem direito à USP?

Quem deveria ter direito à USP?

Mas pra isso ele vai brigar

Já falou que por mais que demore, é lá que ele um dia ele vai estar

E ele vai fazer barulho direito!

Ele vai incomodar direito!

Ele quer mostrar o poder que tem o preto!

Vai mostrar que preto tem que ter direito

Vai gritar pra todo mundo que não pode mais ficar desse jeito

A gente quer subir, se empoderar, ter respeito!

Cuidado, doutor!

Pode ficar com medo

Se o vida loka é perigoso assim agora

Imagina quando graduar

Ninguém segura o preto

Você nem imagina onde ele é capaz de chegar

Cuidado, doutor!

Pode começar a ficar com medo.

O preto vai fazer Direito

A gente vai conquistar o lugar que é nosso por direito

Pode começar a ficar com medo

Vamo empretecer esses bancos

A gente vai quebrar as estruturas do seu direito branco

Cuidado, doutor

Tá com medo?

Pode continuar tremendo

O preto agora, vai fazer Direito